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Execução, contexto e impacto estão no radar dos executivos brasileiros que integrarão pela primeira vez o júri

O Cannes Lions 2026 nem começou oficialmente, mas, para os jurados da edição deste ano, a maratona já está em curso. Marcado entre os dias 22 e 26 de junho, na Riviera Francesa, o evento contabiliza, até o momento, entre os jurados presenciais [25 brasileiros distribuídos em 22 categorias](https://www.meioemensagem.com.br/cannes/veja-os-brasileiros-que-estarao-no-juri-do-cannes-lions-2026), número inferior ao de 2025, quando o Brasil contou com 33 jurados no festival. Há também outros 13 brasileiros escalados para os júris de shortlist, que são realizados remotamente nessas semanas que antecedem o evento — no ano passado foram nove atuando exclusivamente nessa etapa preliminar.

![Image 19: Estreantes no júri de Cannes Lions: Ary Nogueira, da W+K SP; Diego Guerhardt, da Fbiz; Tiago Abreu, GUT; e Rafael Gil; da Artplan](https://www.meioemensagem.com.br/wp-content/uploads/2026/05/1280x852-montagem-cred-divulgacao-616x410.jpg)
Ary Nogueira, da W+K SP; Diego Guerhardt, da Fbiz; Tiago Abreu, GUT; e Rafael Gil, da Artplan, estreiam como jurados no Cannes Lions 2026 (Crédito: Divulgação)

Entre os estreantes, as estratégias de preparação são diversas e incluem coisas como análises diárias, mergulhos em making ofs, revisões históricas de categorias e horas dedicadas a centenas de cases, em uma missão que exige atenção minuciosa, repertório cultural e disposição para debates intensos.

“O festival já começou para todos nós”, afirma Rafael Gil, coCCO da Artplan, [um dos três presidentes brasileiros](https://www.meioemensagem.com.br/cannes/tres-brasileiros-sao-escalados-para-presidir-juris-no-cannes-lions), que, em seu primeiro ano de júri, liderará Industry Craft. Sobre a categoria, a expectativa – e oportunidade – é mostrar que o assunto não se concentra somente na execução.

“Por ser uma categoria muito técnica, as discussões costumam ser extremamente minuciosas, mas não podemos esquecer que craft também é sobre contar histórias. É um pensamento altamente técnico, em todas as suas variações, usado para dar corpo a uma ideia e transformar isso em algo que faça as pessoas sentirem e viverem uma experiência com as marcas”, explica.

A preparação do criativo é guiada pela experiência pregressa no esporte. Para ele, organização e disciplina são a combinação que sempre funciona. “Por isso, fracionei meu julgamento em acompanhamentos diários. Assim, consigo manter proximidade e atenção total aos trabalhos, sem perder profundidade na análise”, revela.

Para o CCO da GUT, Tiago Abreu, o festival sempre será a soma de criatividade e relevância, mesmo em áreas com alto grau de tecnicidade. O executivo integra, pela primeira vez, o corpo de jurados do festival, na categoria de Digital Craft.

“É claro que, no nosso caso, a execução impecável ganha um peso ainda maior. O próprio briefing para o júri resumiu o nosso objetivo enquanto grupo de um jeito muito feliz: priorizar trabalhos que unam a mágica com a lógica, combinando com uma execução acima da média”, diz.

Manter a agenda organizada para que as peças não se acumulem é, para Abreu, a parte da preparação mais complexa de gerenciar. Porém, apesar de o volume de campanhas ser grande, o Cannes Lions realiza o envio em ondas para não sobrecarregar os jurados, o que faz diferença na análise da categoria.

“Às vezes, o vídeo demo revela mais do que o case study em si. Então, Digital Craft requer que você mergulhe, se aprofunde nos making ofs, leia as fichas com atenção, cheque as URLs e viva as experiências que as ideias propõem”, opina.

## Cannes e a criatividade

Também estreante como jurado, o diretor executivo de criação da Fbiz, Diego Guerhardt, defende que o critério inegociável é “a busca por trabalhos que não sejam apenas eficazes, mas que também ampliem a percepção do que é possível por meio da criatividade”. Ele integra o time que julgará a categoria Creative Business Transformation.

“Ao final, a pergunta será: isso é transformador? A minha responsabilidade será olhar para além de cada obra visual. Será considerar a ambição, o contexto e a percepção humana e cultural por trás de cada trabalho”, pontua.

Esse é, para o diretor de criação, o trilho central usado para encarar o volume de trabalhos, além da responsabilidade e critério necessários na empreitada. Cada ideia precisa ser julgada com atenção, entendendo contexto, ângulo, execução e impacto, acrescenta.

“Em termos de método, pretendo seguir algo próximo do que já aplico no dia a dia: estudar bastante antes. Gosto de revisitar o histórico da categoria, entender o que definiu os melhores trabalhos nos últimos anos e mergulhar nos projetos que serão julgados agora. Com isso, consigo dar mais agilidade às avaliações e contribuir de forma mais consistente nos debates”.

relacionado[![Image 20: Abap premiações](https://www.meioemensagem.com.br/wp-content/uploads/2025/09/cannes-leao-cred-JpegPhotographer-shutter-275x170.jpeg) Veja os brasileiros que estarão no júri do Cannes Lions 2026](https://www.meioemensagem.com.br/cannes/veja-os-brasileiros-que-estarao-no-juri-do-cannes-lions-2026)

As ideias potentes, capazes de reforçar o poder da indústria, são o motor do Cannes Lions, reforça Ary Nogueira, diretor de criação da Wieden + Kennedy São Paulo, jurado estreante de Social & Creator. Na categoria, os trabalhos mais importantes são os que conseguem transformar negócio, cultura ou comportamento, por meio da força criativa da solução.

Para ele, um dos grandes desafios gerais no júri é a compreensão da essência de cada categoria, uma vez que as campanhas estão cada vez mais híbridas, misturando formatos, plataformas e disciplinas.

“No caso de Social & Creator, me interessa muito quando a ideia surge de um comportamento social real, da dinâmica das plataformas e da lógica dos creators. Existe uma diferença entre usar creators apenas como alcance e criar algo que realmente só poderia existir dentro da cultura da internet”, analisa.

Nogueira comenta que o processo de estudo dos trabalhos já começou. Assim como os demais estreantes, o momento é de se aprofundar nos cases, rever trabalhos, organizar as percepções e entender melhor cada inscrição. Diante da grande quantidade de material, o maior risco é “entrar no automático e começar a ver tudo rápido demais”, perdendo nuances importantes.

## O que estará em alta

O hibridismo das campanhas é, inclusive, uma das características que já chama a atenção de Nogueira, mesmo que reconheça que possíveis tendências fiquem mais evidentes após o festival. Ainda assim, tem se tornado mais comum ver trabalhos que atravessam social, PR, creator, out-of-home, conteúdo e entretenimento ao mesmo tempo. Ou seja, as narrativas ficaram mais complexas e as ideias passaram a viver em muitos formatos diferentes.

A inteligência artificial (IA) também é, para ele, motivo de curiosidade: “É uma ferramenta que já faz parte do processo criativo de muita gente, mas ainda estamos entendendo quais são os usos mais interessantes, os limites e até as discussões éticas em volta disso. Acho que será interessante perceber como agências e marcas estão absorvendo essa transformação”.

Por falar em IA, Abreu comenta que 2026 será o primeiro ano da subcategoria AI Craft e, pelo volume de inscrições, já é possível perceber que esse será um dos temas do festival. Ele se diz curioso para conhecer os cases relacionados ao tema, sobretudo por causa da velocidade com que a tecnologia tem evoluído.

“Acredito que essa edição de Cannes será um retrato desse momento, de uma ferramenta que evolui em um ritmo impressionante. O que temos demais moderno agora? Como isso está acontecendo ao redor do mundo? Em quais objetivos será aplicado? Essa será uma discussão quente e muito interessante de acompanhar”, ressalta.

Já Guerhardt, do júri de Creative Business Transformation, prevê que tensões geopolíticas ao redor do mundo, pauta migratória e questões ambientais devem aparecer refletidas nos trabalhos. “É um momento de reinvenção para muitas indústrias, com mudanças relevantes na forma de produzir, comunicar e gerar valor”, diz.

## Brasil no Cannes Lions

O número inferior de jurados brasileiros – que poderia apontar para uma resposta da organização à polêmica dos cases [fantasmas do ano passado, que gerou a cassação de um Grand Prix da extinta DM9](https://www.meioemensagem.com.br/cannes/cannes-lions-retira-grand-prix-da-dm9-e-consul-apos-polemica) –, de acordo com os estreantes, tem mais a ver com ampliação da diversidade no festival.

O diretor executivo de criação da Fbiz lembra que, em 2025, diversos países ganharam seu primeiro Leão, o que ajuda a explicar o aumento de representatividade geográfica. “Cannes tem se preocupado com esse processo de integração, que me parece bastante rico. Teremos jurados de diversos novos locais, e isso demonstra essa preocupação”.

Opinião semelhante tem Gil, da Artplan, presidente da categoria Industry Craft. Para o CCO, o número de jurados brasileiros pode estar relacionado às transformações do próprio evento, com uma intenção visível de dar visibilidade a profissionais de outras regiões.

“Para mim, o mais importante é que Cannes continue sendo uma grande celebração da criatividade e que consiga abrigar a maior diversidade possível de profissionais, culturas e países. Se, antes, esse espaço era acessível para poucos, sempre torço para que ele possa ser ocupado por muitos”, comenta.

Nogueira, da Wieden + Kennedy, por sua vez, também não acredita em uma “perseguição” ao Brasil, mesmo que o ocorrido tenha impactado o festival e gerado discussões para a indústria global. Em outras palavras, o criativo defende que a conversa ultrapassa o mercado brasileiro e é parte do papel de Cannes refletir o todo.

“O festival ocupa um lugar muito central na publicidade mundial e, por isso, também tem a responsabilidade de apontar caminhos, provocar ajustes e repensar quais comportamentos e critérios o mercado está estimulando. Vejo muito mais nesse lugar de revisão e amadurecimento”, finaliza.

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